
- Por que choras assim, tão tristemente moça?
- Não sei moço.
- Como não sabes? Não sabes o que se passa aí dentro de ti?
- Sei que dói. Só isso.
- Ora, tente não sentir aquilo que não lhe alegra, moça.
- Eu queria não sentir, moço, juro que queria.
- Sinta sim. Mas sinta coisas boas. Se quiseres, pode sentir meu abraço…
- Mas moço, minhas lágrimas irão molhar tua camiseta.
- Camisetas secam e abraços não se recusam, moça.
- Tristeza pega moço? E se eu te abraçar e lhe contaminar com tristeza? Ah, isso seria terrível moço.
- Sou vacinado, moça. Não preocupe-se a toa.
- Mas e se eu…
- Me abraça moça boba.
- Teu abraço é quente. É macio moço. É confortante.
- (sorri, encantadoramente)
- Mas moço, me fala teu nome?
- Meu nome é sonho. E, moça, já está na hora de você acordar pra realidade.

Carta encontrada no chão da sala, ao lado do corpo de Catarina Salmão, com alguns respingos de sangue seco. Catarina escreveu a carta e logo depois se suicidou na sala de seu apartamento. Os vizinhos estranharam o seu desaparecimento e chamaram a polícia.
“ New York, Saturday 9 October. 4:30 in the morning.
Querido, não queria que tudo acabasse assim desta forma. Tu lembras aquela tarde linda que passamos juntos com filmes, pipocas, calor dos nossos abraços e sorrisos? Tu se lembras de quando nos conhecemos? Estávamos tímidos, sem assunto, e então tu mostraras um sorriso lindo para mim, me segurastes pelo braço e me beijaras. Nunca esqueci daquele dia querido, nunca mesmo. Ah querido, são tantas declarações e palavras que levarei junto á mim. Quando receberes esta carta, quero que venha até minha casa. Não se preocupe, não irá me encontrar aqui. Venha até minha casa, tem uma cópia de minha chave abaixo do tapete de boas-vindas. Venha até meu quarto e na gaveta do criado mudo, quero que pegue todas as cartas que encontrares. Ao decorrer que sentira tua falta, escrevia tudo o que queria lhe dizer… Mas nunca tivera coragem. Depois vá até meu guarda-roupa, e lá no fundo pegue tua camisa. Aquela que sempre gostei. Quando me disseras que iria partir, escondi tua camisa favorita em meu guarda-roupa. Foi a única lembrança tua que me restara, além de memórias e nossas fotos. (…) Ora querido, ainda não me acostumara lhe chamar pelo nome. Tu ainda permaneces em mim Ângelo! Não consegui me livrar das dores que me causara, das lembranças que ainda permanecera em mim. Olha querido, não poderei dizer que serei teu anjo da guarda, pois dizem que quem comete suicídios não vai ao céu. Creio que isso não é verdade. Mas se realmente não for, estarei cuidando de ti meu querido e te esperando em outra vida. Perdoe-me pela caligrafia meio torta querido, minhas lágrimas estão me impedindo de escrever corretamente. (…) Alguns dias atrás, fiquei sabendo que tu encontraras um amor. Um amor que não sou eu. Quero que seja feliz, com quem seja. Só que não pude mais resistir ao que vias, não pude te ver beijando-a, não pude mais ver ela em meu lugar. Querido Ângelo, partireis com a certeza de que te amei o tempo todo. Só nunca soube se fui amada por ti querido. Comigo sempre permanecerás o teu cheiro, o teu sorriso, tuas palavras, teus abraços e teus beijos calorosos. Te amarei aqui como em outra vida meu querido Ângelo. Viva bem e onde estiver, espero que se cuide e esteja feliz. E aqui me despeço, para sempre. Eu te amo querido.
Com amor, de sua Catarina Salmão
Para, Ângelo Prado ”

E Deus já escreveu tudo. ele só está vendo até onde você é capaz de esperar pela pessoa certa.

”Coloquei aquele batom vermelho, marcava bem meus lábios. E aquele lápis de olhos deixava meus olhos bem escuros combinando com minha vida. Quis usar o vestido mais curto e ousado que tinha. Estava com meu maior salto. E assim foi […] sai de casa, acendi meu cigarro e peguei minha estrada. A rua estava muito fria, parecia comigo. E foi aí que cheguei ao lugar desejado. Eu o vi com outra, mas eu sabia que isso iria acontecer. Só quis conferir para saber se realmente acabou. E acabou […] da forma mais bruta, mas acabou. E doeu sabe? Naquele momento eu tinha que demostrar que era forte, não podia mostrar para ele que ele conseguiu. Hoje só me restou lembranças, uma delas, foi a de ti não me querer mais. (quase❥tua)